Chita, Chitão e Chitinha - Tecido Ordinário de Algodão Estampado com Flores

A estampa chita foi vestido de escrava e já desfilou nas passarelas.
Chegou a ser estampa da elite com o nome de alcoçaba e foi estampa de forrar mesa de cozinha. Passou pela cultura visiva desde o surgimento da televisão no Brasil e figurou também nas telas do cinema. A chita, portanto, consegue transitar em várias circunstâncias e estar presente nas cenas de momentos históricos, ora vestindo os menos abastados ora sendo resgatada pelo bom-gosto da moda.
A palavra chita deriva de chint em híndi, língua falada da Índia, derivada do sânscrito. Chint significa pinta ou mancha.
E caracteriza, pois, a estampa predominantemente floral, tendo em vista que o hinduísmo e o islamismo, as duas religiões principais do oriente, proibiam as representações figurativas. Então, entre 3 mil e 5 mil a.C., já podem ser encontrados flores, galhos, folhagens, arabescos e desenhos geométricos, como o madra (listras cruzadas formando xadrez, típico da região de Madras), nos tecidos que os indianos estampavam com seus cunhos, uma espécie de carimbo de madeira entalhada ou de metal, antecessor dos clichês de impressão.
Em Portugal, as estampas de chita, vindas da Índia, seriam conhecidas pelo nome de pintado. Na Holanda, recebe o nome de “sits” e, na Inglaterra, o tecido estampado de flores é chamado de chintz até hoje.Segundo a História Tradicional, houve grande desenvolvimento da produção de tecidos estampados na Índia, do século XI ao XV.

As cores vinham de pigmentos naturais, como o índigo (planta da família das leguminosas, que produz o azul) e o dióxido de ferro (ferrugem), preparados em fervura e infusões.

Para fixar a cor ao tecido, era utilizado o mordente, substância essa que agregada ao tingimento garantiria a durabilidade da cor.

Por isso, os tecidos indianos resistiam melhor que os europeus a lavagens e exposições ao sol.

Os anais históricos revelam ainda que os indianos chegavam a acrescentar urina a determinadas plantas tintórias para acelerar a fermentação e, com isso, produzir melhor tingimento. Por causa dessa prática, os tintureiros, que pertenciam a castas consideradas inferiores na Índia, também eram tidos como “impuros”.Essa prática peculiar ainda é utilizada como recurso de tecelagem em regiões rurais de Minas Gerais.A Chita é um tecido de algodão com estampas de cores fortes, geralmente florais, e tramas simples. As estamparia é feita sobre o tecido conhecido como morim. Uma estampa característica de chita sobre outro suporte que não seja morim não é chita. As características principais são: cores primárias e secundárias em massas chapadas que cobrem totalmente a trama, tons vivos, grafite delineando os desenhos, e a predominância de uma cor. As cores intensas servem, não só para embelezar o tecido, mas também para disfarçar suas irregularidades, como eventuais aberturas e imperfeições.A chita veio para o Brasil com os europeus a partir de 1800. O tecido originário da Índia passou por várias melhorias até chegar ao que temos hoje. Após um longo processo burocrático, cultural e financeiro, a chita passou a ser produzida também no Brasil. A produção do tecido no país o barateou, e muito, tornando populares as peças confeccionadas com o material, transformando-o, assim, em um dos ícones da identidade nacional. Atualmente é mais usado em festas populares, como a festa junina, mas vem sendo valorizado também na decoração, principalmente como referência estética. De tempos em tempos, ganha espaço em passarelas, galerias de arte, vitrines e palcos, quando estilistas, artistas plásticos, designers e outros criadores redescobrem estas estampas e as incorporam a suas produções.

Chita e algumas de suas Diversas Padronagens:


Postado por: Karla Cruz

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